EUA prosseguem com planos de defesa antimíssil na Europa
Foto: EPA
Os EUA não pretendem desistir dos planos de criar um sistema ABM na Europa apesar de existirem boas perspectivas de regularizar o problema nuclear do Irã. Os analistas têm apontado para largas somas de dinheiro que pressupõe o projeto.
As dúvidas quanto à sinceridade dos iranianos foram expressas pelo presidente Barak Obama. Conforme disse um representante do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, os planos de instalar a DAM na Europa e a contribuição norte-americana nesse sistema anti-balístico dos países da OTAN continuam inalteráveis. Esta tese pode ser qualificada como a resposta à recente declaração do ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, segundo o qual, “se os acordos com o Irã forem realizados na íntegra e o problema do programa nuclear iraniano for resolvido, isto irá invalidar os planos de criar a DAM da OTAN na Europa”.
A Rússia não insiste em que a decisão sobre esta questão seja tomada agora mesmo. Foi daí que, o chanceler russo usara a forma do condicional. Mas alguns peritos admitem que a situação em geral, não sofrerá grandes mudanças independentement e de resultados das conversações com o Irã, frisou o vice-diretor dos EUA e do Canadá, Pavel Zolotarev:
“Claro que a defesa antimíssil europeia não constitui uma reação a ameaças da parte da Coreia do Norte ou do Irã. Trata-se de realização de uma meta estratégica, traçada em tais documentos como “Perspectiva-2010” e “Perspectiva-2020 ” a realçarem que, “no mundo contemporâneo, os EUA devem garantir a defesa global do seu território”. Aqui se têm em vista as ameaças potenciais sem alusões aos Estados concretos. Por outro lado, está claro poder tratar-se da Rússia e da China, sem olhar para a situação política. A Coreia do Norte e o Irã, por seu turno, têm ajudado a fazer uma finta a fim de facilitar a solução das questões do financiamento”.
Washington refere como um motivo de criação da DAM uma eventual ameaça da parte de mais de 30 países, entre os quais se conhecem, sobretudo, apenas o Irã e a Coreia do Norte. Mas os coreanos, bem como os iranianos, não têm qualquer motivação séria para lançar seus mísseis contra alvos na Europa. A Coreia do Norte está à beira de sobrevivência. O Irã deseja alargar a sua influência no mundo islâmico. Uma salva disparada na direção de capitais européias será suficiente para desvalorizar e fazer frustrar esses objetivos.
Vladimir Kozin, dirigente do grupo de conselheiros do Instituto de Pesquisas Estratégicas junto da Academia de Ciências Naturais assinala:
“Os EUA e seus aliados possuem um elevado número de meios antimísseis, capazes de conter, em perspectiva de longo prazo, qualquer ameaça iraniana. Os EUA já tinham posicionado um grupo de navios de guerra, munidos de mísseis interceptores. Além disso, os aliados dos EUA no Golfo Pérsico há já muito que vão adquirindo tais meios. O potencial sumário se estima em 800 mísseis interceptores. É uma tamanha força que pode fazer frente a qualquer ameaça iraniana”.
Vale completar que a DAM europeia, em sua variante atual, não representa perigo para o potencial estratégico da Rússia. Na opinião de peritos, os mísseis SM-3, que constituem o grosso da DAM no continente europeu, não terão nem a velocidade, nem o alcance suficiente para efetuar a intercepção. Por isso, uma das causas do prosseguimento do projeto diz respeito ao aspecto financeiro. Anualmente, os EUA gastam para o efeito cerca de 10 bilhões de dólares. Os analistas referem terem sido gastos 180 bilhões. Na próxima década a soma poderá duplicar. Um projeto da DAM, que parece não ter fim, pode vir a ser favorável ao complexo militar-industrial dos EUA, o que não deixa de ser atual perante a redução das despesas militares. Por isso, tem-se a impressão de que a segurança estratégica na Europa se tornou um refém do business oligárquico dos EUA.
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