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Echelon

Echelon é o nome pelo qual é mais conhecido um aprojeto secreto de SIGINT. Não existem explicações oficiais sobre a função que desempenha. Alguns estudiosos da área afirmam que serve para a interceptação mundial de telecomunicações (internet, fax,telemóvel) encabeçado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, com a colaboração de agências governamentais de outros países (Reino Unido, Austrália,Canadá, Nova Zelândia), para analisar as comunicações a nível mundial, com o objectivo de procurar mensagens que representem ameaças à segurança mundial. Há também indícios de que o sistema tenha sido usado para a prática de espionagem comercial.1 2
O sistema foi estabelecido , após a Segunda Guerra Mundial, no âmbito do que é conhecido como UKUSA Agreement ("Acordo Reino Unido-Estados Unidos") e é administrado conjuntamente pelos serviços de informação dos estados membros do Acordo, a saber:
·         NSA (National Security Agency) dos Estados Unidos, o principal contribuinte e utilizador;
·         GCHQ (Government Communications Headquarters) do Reino Unido;
·         CSTC (Centre de la sécurité des télécommunications Canada);
·         DSD (Defence Signals Directorate) da Austrália;
·         GCSB (Government Communications Security Bureau) da Nova Zelândia.
Embora o Echelon tenha sido originalmente concebido como uma rede de espionagem internacional, já em 1999 os membros doCongresso dos Estados Unidos discutiam a possibilidade de que o sistema pudesse ser usado também para espionar os cidadãos americanos. 3
No final de janeiro de 2006, a Electronic Frontier Foundation, uma entidade ligada à defesa das liberdades no mundo digital, iniciou uma ação judicial contra a operadora telefônica norte-americana AT&T, por sua suposta colaboração com o Echelon 4 .
O Pacto UK-USA
Aqueles que não têm dúvidas sobre a existência do Echelon afirmam que tudo o que se fala pelo telefone ou que se transmite pela Internet ou por fax, é controla­do, em tempo integral, via satélite, pelo Sistema Echelon - uma sofisticada máquina cibernética de espionagem, cria­da e mantida pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos, com a participação direta do Reino Unido, do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia.
Com suas atividades iniciadas nos anos 1980, o Echelon teria, como embrião histórico, oUKUSA Agreement, firmado secretamente pela Grã-Bretanha e pelos EUA, no início daGuerra Fria.
Destinado à recolha e troca de informações, o Pacto Reino Unido-Estados Unidos resultou, nos anos 1970, na instalação de estações de rastrea­mento de mensagens enviadas desde e para a Terra por satélites das redes Intelsat (International Telecommunica­tions Satellite Organisation) e Inmarsat. Outros satélites de observação foram enviados ao es­paço para a escuta das ondas de rádio, de celulares e para o registro de mensagens de correio eletrônico.
No Reino Unido, o órgão governamental associa­do à NSA é a GCHQ (Government Communications Headquarters, o serviço de informações britânico). A maior base eletrônica de espionagem no mundo é a Field Station F83 da NSA. A estação está situada emMenwith Hill, Yorkshire, na Grã-Bretanha.5
Além disso, já sob o guarda-chuva do Echelon, seriam cap­tadas as mensagens detelecomunicações, inclusive de ca­bos submarinos e da rede mundial de computadores, a Internet. Em linguagem técnica, o objetivo dessa rede seria captar sinais de inteligência, conhecidos como SIGINT.
O segredo tecnológico do Echelon consiste na interco­nexão de todos os sistemas de escuta. A massa de infor­mações é espetacular e, para ser tratada, requer uma tria­gem pelos serviços de espionagem dos países envolvidos, por meio de instrumentos da inteligência artificial.
"A chave da interpretação", segundo o jornalista neozelandês Nicky Hager, "reside em poderosos computadores que perscrutam e analisam a massa de mensagens para delas extraírem aquelas que apresentam algum interesse. As estações de interceptação recebem milhões de mensa­gens destinadas às estações terrestres credenciadas e utili­zam computadores para decifrar as informações que con­têm endereços ou textos baseados em palavras-chave pré-programadas".
Espionagem industrial
O sistema Echelon tem sido, alegadamente, utilizado em prol dos interesses comerciais americanos.
Exemplos conhecidos6 são:
·         Enercon, empresa Alemã que desenvolve tecnologia relacionada com turbinas eólicas 7 8
·         Lernout & Hauspie 9 empresa Belga, abriu falencia depois de se saber da existência de uma contabilidade paralela. Foi comprada em Dezembro de 2001 pela Nuance Communications.
·         Airbus versus Boeing em 1994. Contrato de 6 milhões de dólares com a Arábia Saudita. Revelação de suborno do consórcio europeu Airbus. Método utilizado, "(...) de escuta de faxes e telefonemas entre o consórcio europeu Airbus, a companhia aérea e o Governo sauditas sobre satélites de comunicações. A McDonnel-Douglas, concorrente norte-americana da Airbus, conclui o negócio". (pag.107 do relatório elaborado pelo PE).
O megapoder da NSA
A agência de inteligência norte-americana mais conhe­cida é a CIA. No entanto, de acordo com os pesquisadores nessa arca, a mais poderosa é a NSA. Ela possui, hoje, cer­ca de 20 mil funcionários em Fort Meade, seu quartel-ge­neral. São, principalmente, analistas de sistemas, engenhei­ros, físicos, matemáticos, linguistas, oficiais de segurança e administradores de empresas, entre outros especialistas de alto padrão.
A NSA foi criada em 1952 por meio de um decreto se­creto do presidente Harry Truman para cuidar de espionagem e contra-espionagem, dentro e fora dos Estados Unidos. Seu organograma (conhecido publicamente, pela primeira vez, em 18 de dezembro de 1998, graças à lei co­nhecida como Freedom Information Act), demonstra que seus serviços cobrem praticamente todo o universo das tecnologias da informação.
Com base nessa massa crítica, os EUA adiantaram-se no tempo para assegurar sua hegemonia mundial no sé­culo 21. Em novembro de 1997, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea norte-americana fez palestra na Câmara de Representantes, em Washington e afirmou: “No primei­ro trimestre do próximo século, seremos capazes de locali­zar, seguir e mirar — praticamente em tempo real — qual­quer alvo importante em movimento, na superfície da Ter­ra
Ao refletir sobre o que chama de televigilância global, o filósofo e urbanista francês Paul Virilio afirma que o fenômeno histórico que leva à mundialização exige cada vez mais luz, cada vez mais iluminação. E assim que se desenvolve hoje uma televigilância global que não reco­nhece qualquer premissa ética ou diplomática. A atual glo­balização das atividades internacionais torna indispensá­vel uma visão ciclópica ou, mais precisamente, uma visão cyber-ótica... Com essa dominação do ponto de vista orbi­tal, o lançamento de uma infinidade de satélites de obser­vação tende a favorecer a visão globalitária. Para “dirigir” a vida, não mais se trata de observar o que acontece diante de si. A dimensão zenital prevalece, de longe ou mais alto, sobre a horizontal e não se trata de um assunto de pouca importância porque o “ponto de vista de Sirius” apaga toda perspectiva”. (em Le Monde Diplomatique, agosto de 1999, pgs.4e 5).
Estados Unidos: espionagem interna
Em dezembro de 2005, o New York Times publicou um artigo afirmando que, durante a Administração Bush, a NSA havia implementado um programa de espionagem interna desde 2002, usando o sistema Echelon.10 11 12 13
Durante a disputa de fronteira sobre as ilhas Saint-Pierre e Miquelon, que opôs a França e o Canadá, o Echelon também teria sido usado,14 segundo um antigo agente da CSE, Fred Stock. Em outra entrevista, concedida ao tabloide dinamarquês Ekstra Bladet, Stock também revelou que o Canadá usou o Echelon para espionar a empresa francesa Airbus e empresas do setor agrícola da França, para obter informações comerciais.2
Criptografia
Métodos conhecidos desde há séculos e bastante utilizados quer pelas potências do Eixo, quer pelos Aliados da Segunda Guerra Mundial, são os métodos criptográficos. Consistem essencialmente na distorção de uma mensagem através de dicionários e de senhas conhecidas apenas pelos autores e destinatários da mensagem.
Os alemães ficaram sobejamente conhecidos por terem criado o mais divulgado e famoso criptólogo da história, a máquina Enigma. Similar a uma máquina de escrever, permitia através de um código específico transmitir mensagens de rádio criptografadas. Muitoscientistas da computação ingleses dedicaram-se à decodificação desses mesmos sinais numa base da Inglaterra. Segundo certa documentação cinematográfica, foram os submarinos americanos que, ao capturarem um submarino alemão, obtiveram o código secreto.
Hoje em dia, com processadores muito mais poderosos, capazes de efectuar milhões de operações por segundo, os métodos e osalgoritmos tornaram-se também muito mais complexos. No entanto os objectivos continuam os mesmos. Uma mensagem de correio electrónico ou de telefone móvel e uma chamada telefônica, são compostas por informação que pode ser reduzida a estruturas simples (combinações de zero e um), dando origem ao denominado mundo digital. Estas mensagens podem ser alteradas e criptografadas, através de programas de computador, de forma a que nem o próprio sistema Echelon as consiga decifrar. O caso que foi referenciado pelo sistema Echelon dizia respeito ao número de bits utilizados na criptografia da mensagem. Os europeus, nas suas comunicações internas - que desde há muito são encriptadas - utilizavam uma chave de N bits, das quais os americanos exigiam conhecer N/2 bits, argumentando que muitas comunicações com intuitos terroristas provinham do espaço europeu. Com essa informação, seria possível ao sistema Echelon, decifrar as mensagens trocadas pelos Europeus.[carece de fontes]
O caso da Airbus referenciado anteriormente, ficou por ser o mais conhecido, enquanto espionagem industrial, para fins ilícitos.



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